
Quando fechou um acordo de investimento de USD 100 milhões com a Scale AI, Mike Volpe, do fundo Index Ventures, levou o CEO da startup, Alexandr Wang, ao restaurante. Para celebrar, o investidor resolveu pedir uma garrafa de vinho e se perguntou se seria mais apropriado pedir uma Coca KS para seu novo parceiro de negócio. Na época, Wang tinha pouco mais do que 21 anos, idade legal para consumir álcool nos EUA. Sim, o executivo é precoce até mesmo para os padrões do Vale do SilÃcio. E tem os rumos de uma companhia de USD 1 bilhão de valuation nas mãos.
Mas que bobagem, já é tempo de empreender
O “poderoso chefinho” da Scale ganhou uma série de competições de programação na adolescência, deixou o MIT para trabalhar no Quorae, de lá, fundou sua própria startup, em 2016, do alto de seus 19 anos. Mas, o que a tal companhia faz? Basicamente, a Scale AI facilita o processo de aprendizado de máquina para identificação de objetos. Acontece que, antes de a máquina registrar um produto em um mercado como o Amazon Go, é preciso que um humano a ensine a “ler” a imagem de um pacote de Doritos e diferenciá-lo de um saco de batata orgânica, por exemplo — uma tarefa que ainda é majoritariamente humana. DaÃ, com ajuda de um conjunto de ferramentas de software desenvolvidos pela empresa de Wang, o trabalho desse pessoal fica bem mais simples.
As novidades que eu já canso de escalar
Foi assim que a companhia atraiu gente de renome do porte de Waymo (da Alphabet), Cruise (divisão de carros autônomos da GM) e Uber. E a companhia quer vender suas soluções mão na roda para qualquer companhia desenvolvendo IA. Para concorrer em um nÃvel tão alto, a startup tem dois desafios: 1) conseguir a quantidade adequada de dados para treinar as máquinas e 2) assegurar que os resultados são válidos. Afinal de contas, ainda são os humanos que precisam direcionar os computadores na hora de interpretar fotos, textos e vÃdeos.
No Vale tudo tem seu preço, seu valor
O programa da Scale é capaz de fazer uma leitura prévia de imagens e, em vários casos, acerta automaticamente o que é cada objeto. Ou seja, os serumaninhos só precisam dar um carimbo de validação. A gente sabe o que vocês estão pensando: “tanta otimização de tempo vale muito dinheiro”. Sim, uma senhora fortuna, a gente diria. Rastreamentos que costumam durar horas são realizados em minutos. E qual é o segredo? Junto de um software parrudo, a companhia tem uma montanha de colaboradores terceirizados ao redor do mundo. Além de treinar essa galera, a empresa criou um software para identificar, err… Quem são os melhores identificadores. Sim, tem muita identificação em um parágrafo só. A gente também identificou esse defeito. Sacou? Sacou?
Não me desfaço dos meus planos
Wang não comenta quando essas pessoas recebem, mas diz que sua companhia paga bem. Os clientes mais novos da empresa são a OpenAI (aquela startup patrocinada pelo Elon Musk) e a Standard Cognition, que cria lojas sem caixas e automatiza o processo de compras em mercados à la Amazon Go. Com um modelo de negócios que remunera (paywall) seus terceirizados de forma parecida com uma Uber — todo mundo está nessa, não é mesmo? —, a Scale não é única no mercado. Em junho, a própria ride-hailing comandada por Dara Khosrowshahi comprou uma startup que faz o mesmo serviço, a Mighty AI, e a Amazon também oferece labeling de objetos como parte de sua solução em nuvem. Wang diz que o diferencial de sua startup está em suas ferramentas mais avançadas, que tornam o processo todo mais rápido e fácil. A gente não sabe se o menino Wang conhece de samba, mas quem foi que falou que ele não era um moleque atrevido?


